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Coreia do Norte aproveita a guerra no Oriente Médio para reforçar arsenal nuclear

Coreia do Norte testa motor para míssil capaz de atingir território continental dos EUA A Coreia do Norte tem aproveitado a guerra no Oriente Médio para acel...

Coreia do Norte aproveita a guerra no Oriente Médio para reforçar arsenal nuclear
Coreia do Norte aproveita a guerra no Oriente Médio para reforçar arsenal nuclear (Foto: Reprodução)

Coreia do Norte testa motor para míssil capaz de atingir território continental dos EUA A Coreia do Norte tem aproveitado a guerra no Oriente Médio para acelerar o desenvolvimento de armas e reforçar o status nuclear do país, em um cenário de enfraquecimento das normas internacionais, avaliam analistas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, Pyongyang realizou cinco lançamentos de mísseis, segundo levantamento da AFP. Os testes ocorrem após o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prometer ampliar as capacidades nucleares do país. O movimento acontece em meio à aproximação com a Rússia e ao aumento da retórica contra a Coreia do Sul. Para Lim Eul-chul, especialista em Coreia do Norte da Universidade Kyungnam, na Coreia do Sul, os lançamentos parecem fazer parte de uma estratégia para adaptar o avanço militar às mudanças na relação entre Estados Unidos, Rússia e China. "O atual panorama da segurança global se transformou em uma 'terra sem lei', onde as normas internacionais existentes já não funcionam. E a Coreia do Norte aproveita esse vazio para completar o seu arsenal nuclear", diz. A Coreia do Norte condenou os ataques dos Estados Unidos contra o Irã, mas evitou críticas diretas ao presidente americano, Donald Trump. Não há indicação de envio de armas norte-coreanas a Teerã. Trump deve viajar à China para uma cúpula em maio, e há especulações sobre um possível encontro com Kim. De acordo com Hong Min, pesquisador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, Pyongyang pode ter aproveitado o momento para reforçar a mensagem de que é um Estado nuclear irreversível. LEIA TAMBÉM Turista morre após cobra entrar em calça e picá-lo em show de encantador de serpentes no Egito 'Comprem agora': ministro espanhol alerta que guerra pode disparar preço de passagens aéreas Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington ‘Irreversível e permanente’ O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisiona teste militar em 29 de março de 2026 KCNA via Reuters A atual onda de lançamentos de mísseis começou pouco depois do congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, realizado em fevereiro. O encontro, que ocorre a cada cinco anos, define as prioridades do país. Durante o congresso, Kim Jong Un afirmou que a posição da Coreia do Norte como Estado com armas nucleares foi consolidada como “irreversível e permanente”. Segundo Hong Min, o momento escolhido indica que Pyongyang busca “acumular conquistas visíveis” em suas capacidades militares. Os testes incluíram mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro antinavio e munições de fragmentação. Analistas ouvidos pela AFP afirmam que as manobras demonstram avanços técnicos e maior domínio de armas de uso dual, capazes de operar tanto em funções nucleares quanto convencionais. Há indícios, segundo Lim Eul-chul, de progresso na miniaturização de ogivas nucleares e na capacidade de realizar “ataques de saturação”, estratégia baseada no lançamento simultâneo de grande quantidade de projéteis para sobrecarregar sistemas inimigos de interceptação. O especialista avalia que Pyongyang deve manter os testes de mísseis balísticos. "O regime considera que, enquanto os Estados Unidos estiverem envolvidos no Oriente Médio, este é o momento ideal para acelerar sua dissuasão ofensiva e o desenvolvimento paralelo de forças nucleares e convencionais", afirma o especialista. Respaldo da Rússia O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, durante uma cerimônia de despedida do presidente da Rússia, Vladimir Putin, no aeroporto de Pyongyang, Coreia do Norte, em 19 de junho de 2024 Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS A Coreia do Norte também busca demonstrar o apoio recebido da Rússia, que teria fornecido assistência econômica e técnica em troca do envio de milhares de soldados para apoiar a invasão da Ucrânia. Pyongyang e Moscou inauguraram recentemente a primeira ponte rodoviária entre os dois países, além da construção de um “hospital da amizade” e de um complexo militar norte-coreano em homenagem à guerra. Os ministros da Defesa, do Interior, dos Recursos Naturais e da Saúde da Rússia, assim como o presidente da Câmara e outras autoridades visitaram a Coreia do Norte recentemente, que permanece diplomaticamente isolada do resto do mundo. Segundo relatos, o embaixador norte-coreano em Moscou chegou a discutir cooperação agrícola com o dirigente instalado pela Rússia na região ucraniana de Kherson, sob ocupação russa. "A Coreia do Norte é um dos poucos países que não teria medo de operar na Ucrânia ocupada, e ambos os lados estão se aproveitando disso", observa Fyodor Tertitskiy, acadêmico nascido na Rússia e professor na Universidade da Coreia, em Seul, especialista no Norte. Os laços culturais também se intensificaram. A Rússia recebeu recentemente uma exposição de arte norte-coreana que exalta a guerra na Ucrânia. "Não há um 'boom' nem um aumento brusco, mas sempre há clientes interessados nesse país", relata Olga, administradora de uma agência de viagens russa que oferece excursões à Coreia do Norte. Um pacote custa cerca de R$ 7,5 mil. Tertitskiy, no entanto, avalia que a aproximação pode não durar além do conflito. Segundo ele, o presidente russo, Vladimir Putin, precisa principalmente de munição, enquanto outros aspectos da relação permanecem secundários. VÍDEOS: mais assistidos do g1